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Cota de junho – Como temos alertado, não há milagre. Temos que continuar trabalhando

25 jun 2021 • Bruno Secco

Dissemos na nota de maio que o valor da cota de R$ 499,00, que foi cobrado em junho, não deveria ser comemorado. Dissemos também que a comemoração só deveria acontecer se, em 2021, tivéssemos uma redução consciente do uso da Amafresp.

Pois bem. Comunicamos que o valor da cota a ser cobrada em julho sofreu um reajuste da volta do uso nos patamares anteriores à pandemia. Será R$ 580,00.

Seguindo os moldes do relatório anterior, explicaremos os custos efetivos do mês que passou, com o valor real da cota e a previsão do mês corrente.

COTA REAL DE MAIO

Como demonstra o gráfico, o mês de maio apresentou uma redução nos custos assistenciais. Em relação a média dos últimos 12 meses, o valor ficou abaixo da média em 10,02% e 24,98 % em relação ao mês de abril.

Como esperado, as internações continuam sendo o maior volume das despesas da Amafresp, com 57% de representatividade. Nas demais despesas a variação não foi significativa:

Em relação a abril, houve uma redução nos custos de R$ 4.402.314,45. As reduções foram mais representativas nos custos das internações: R$ 2,3 milhões; exames: R$ 961 mil; consultas: R$ 256 mil; e pronto socorro: R$ 248 mil.

Em maio, houve uma redução tanto na quantidade de internações como no valor. Para a quantidade houve uma redução de 18,05% em relação ao mês anterior e de 12,88% abaixo da média do período. O valor acompanhou a redução com 23,84% em relação ao mês anterior e de 14,14% em relação à média.

Dessa forma, podemos afirmar que o custo médio das internações apresentou uma redução.

Conforme os relatórios anteriores, as variações das internações são complexas, pois envolvem questões específicas de pacientes e diagnósticos, que podem variar muito e provocam diferenças para baixo ou para cima.

Contudo, ficou evidente que a redução na quantidade de internações colaborou decisivamente para a redução nos custos.

Da mesma forma, como houve uma redução na quantidade de internações e valores, podemos constatar no gráfico abaixo uma redução importante nas diárias pagas de UTI em maio. Foi reduzido 38,60% em relação a abril e 22,79% em relação à média do período.

A redução nas diárias de UTI foi maior que a redução no valor em termos percentuais. Portanto, observamos que poderia haver algum ofensor que justificasse a diferença. Contudo, quando observamos a composição das despesas em internação por tipo de despesa, verificamos que não há. O único destaque foi para materiais/medicamentos, o que não se mostrou relevante a ponto de apurarmos alguma distorção ou causa. Nossa constatação é que a redução dos valores foi decorrente da redução na quantidade de internações.

Ocorreu também em maio uma menor realização de exames, resultando numa redução dos custos correspondentes. A quantidade de exames ficou dentro da média do período, apenas 1 ponto percentual acima. Quando comparada à abril, constatamos uma redução de 26,38%.

Quanto aos valores, constatamos que a redução de valor foi superior à redução da quantidade. Em relação ao mês anterior, a redução foi de 41,45% e, em relação à média, 12,31%.

Esta diferença ocorreu devido à redução na utilização dos exames de maior custo. Apuramos que todos os principais tipos de exames apresentaram redução de utilização. Análises clínicas foi o que apresentou menor redução, 23,14%. Porém, no caso das tomografias e das ressonâncias, a redução foi de 49 para 57%.

Já nas quantidades apuramos também uma redução em todos os tipos. A análises clínicas ficou muito próximo da redução de valor com 28,25%. Para os demais, o destaque ficou com a ressonância que apresentou uma redução de 56,21%, acompanhado pela tomografia com 37,59% e pelo ultrassom com 35,84%.

As consultas também apresentaram uma redução nos custos de 25,61% em relação aos meses anteriores. Observamos que as consultas ficaram 5,25% acima da média do período, diferente do comportamento dos exames. Porém, como esperado, as quantidades seguiram a mesma lógica com redução de 32,78% em relação ao mês anterior e de 2,21% acima da média do período.

Identificamos que em maio o custo médio da consulta ficou 8% maior que o período de abril. Quando abrimos as despesas realizadas durante o ato de consulta, identificamos uma maior utilização de recursos de material e medicamento e de Serviços Auxiliares de Diagnóstico e Tratamento (SADT), em relação ao menor número de consultas.

No que se refere a pronto socorro, identificamos em maio uma redução expressiva de 44,70% na quantidade de passagens e de 8,49% em relação à média do período. Nos valores, a redução acompanhou a mesma proporção de 46,63% em relação a abril e de 6,09% em relação à média do período.

Constatamos que apesar da menor proporção, o custo médio do pronto socorro continuou aumentando. Contudo, é um aumento esperado, uma vez que havendo menor procura pelo pronto socorro é esperado que os casos sejam os mais graves e que necessitam de mais recursos.

Identificamos que em maio houve uma redução considerável dos procedimentos relacionados ao Covid-19 em relação ao mês anterior. Porém, a quantidade de procedimentos ainda é maior que a média, o que caracterizaria o aumento no custo médio maior citado no parágrafo anterior.

No mês de maio, as quimioterapias e radioterapias sofreram uma redução de 13,63% em relação ao mês anterior e de 4% em relação à média do período.

Na quantidade de pacientes atendidos também encontramos uma redução de 40,38% em relação ao mês anterior e de 7,69% à média do período. Contudo, importante lembrar que o mês de abril foi um mês atípico devido ao problema de cobrança de um dos nossos prestadores que acumulou atendimentos (vide nota de abril). Dessa forma, em comparação aos demais meses, a quantidade de pacientes está dentro do esperado.

Apuramos que o custo médio do atendimento ficou maior em relação a abril. Contudo, como mês de abril foi prejudicado pelo problema de faturamento de um dos prestadores, a referência mais adequada é em relação a média do período que ainda assim foi maior, mas em menores proporções.

Ressaltamos que os procedimentos de quimioterapia e radioterapia possuem muita influência do ciclo em que o paciente está realizando o tratamento, podendo aumentar o seu tratamento à medida que utiliza medicamentos de alto custo.

Abrindo as despesas por tipo não identificamos nenhum ponto que merecesse uma análise mais profunda. Porém, podemos concluir a representatividade dos custos com materiais e medicamentos em relação a quantidade de pacientes, o que confirma a influência do ciclo do tratamento aos pacientes.

As terapias apresentaram uma redução em relação ao mês de abril de 3,43% e acima da média do período em 15,14%. Nas quantidades percebemos um comportamento incomum, uma vez que, em relação ao mês anterior, não houve a redução identificada no custo, pelo contrário, um aumento de 0,65%.

Apesar da distorção conseguimos afirmar que há uma tendência de retomada deste tipo de atendimento, uma vez que, em relação à média, é perceptível um aumento tanto em quantidade quanto em custo.

Apurando a situação atípica das quantidades, verificamos que houve um aumento muito expressivo de atendimentos em psicologia. O motivo foi nosso prestador de terapias online que represou algumas cobranças de meses anteriores. Esta condição justifica o aumento da quantidade sem influenciar no custo, uma vez que o custo das sessões é relativamente mais baixo do que outras terapias.

Outro atendimento que apresentou aumento foi a terapia ocupacional. Porém, aqui identificamos  casos de cobertura exigida por medida judicial.

Concluímos que apesar da tendência da retomada de alguns atendimentos, a chamada “segunda onda” da pandemia novamente interferiu na quantidade de atendimentos, gerando uma menor utilização e, consequentemente, uma redução nos custos.

Apuramos também uma menor influência dos custos relacionados aos pacientes com Covid-19, principalmente na necessidade de diárias de UTI, bem como nos exames de Covid-19 e tomografia do tórax, realizados em pronto socorro, característicos do protocolo deste tipo de atendimento.

Portanto, o valor da cota real de maio apurada no início de junho, mostrou que a previsão estava correta.

PREVISÃO DA COTA DE JUNHO

Para o mês de junho temos uma previsão de alta no valor da cota, em relação a maio.

O principal motivo do aumento na previsão da cota decorre, principalmente, do aumento no custo das internações já apuradas. As dez internações de custo mais elevado em maio somaram R$ 2.926.373,37, enquanto em junho somaram R$ 4.156.974,57, sendo que o total das internações de maio foram no montante de R$ 10.096.228,96 e em junho de R$ 14.214.563,05.  A tabela abaixo mostra os valores das 10 internações mais caras nos meses de maio e junho:

Devido à complexidade, singularidade e preocupação com a identificação dos pacientes, não podemos acrescentar muitas informações sobre as internações, mas podemos dizer que foram casos de internações mais complexas e de maior duração.

Os outros custos assistenciais, apesar da variação entre os tipos, apresentaram no total de junho um valor de R$ 645.982,20 maior do que em maio, conforme pode ser observado na tabela abaixo:

Outro fator, que também contribui para elevar o valor da cota em junho, foi o valor gasto com a compra de medicamentos, também já apurado. Enquanto em maio esse valor foi de R$ 342.858,35, em junho totalizou R$ 821.813,86, sendo que um único medicamento custou para a Amafresp o montante de R$ 276.080,85. Tivemos, portanto, um incremento de R$ 478.955,51 na compra de medicamentos em junho quando comparamos com maio.

Em relação às receitas de reciprocidade, em junho recebemos um valor menor do que em maio. Sendo que em maio foi de R$ 2.059.719,30 e em junho de R$ 1.470.893,74.

Outro fator que está influenciando o cálculo da previsão da cota é a apresentação tardia das contas de meses anteriores, além de valores que temos que pagar referentes a recursos de glosas, que também acabam entrando posteriormente. No mês de junho, tivemos R$ 128.099,63 referentes a valores de 2019, R$ 307.885,46 de 2020 e R$ 169.790,54 dos primeiros meses de 2021. Tais valores oneraram a previsão de junho em R$ 605.775,63.

Importante lembrar, que, em maio, para o cálculo da previsão da cota, consideramos, também, a devolução da taxa de administração que a Amafresp pagou a mais para a Afresp no ano de 2020, que foi devolvido em uma única parcela e totalizou R$ 2.307.136,68. Esse critério de devolução única pode ser alterado, mas foi uma realidade em maio.

Lembramos sempre que o valor da cota real de junho, bem como a composição efetiva que levou à alta, só teremos confirmada em julho.

A previsão de junho do valor da cota a ser cobrada em julho foi de R$ 639,19.  Entretanto, para não repassarmos aos usuários o valor total do aumento, fixamos o valor da cota de junho em R$ 580,00, ou seja, estamos dividindo com os usuários esse aumento e, para isso, utilizaremos R$ 2.100.818,83 do saldo do Fundo de Reserva. Portanto, utilizaremos o valor que repusemos no fundo em maio (R$ 1.978.347,73), acrescido de R$ 122.471,10. Veja Tabela:

OBS 1: Custo e Cota Real de junho teremos no início de julho

OBS 2: Apesar da diferença entre a cota real e a cobrada em maio ser de R$ 2.861.944,08, fizemos um aporte de R$ 1.978.347,73, porque conforme expusemos no relatório anterior, tivemos que transferir R$ 883.596,35 para o fundo de Reserva vinculado a ANS, pois estávamos abaixo do valor exigido para tal fundo

Confiamos que a diferença do valor previsto para o valor cobrado da cota de junho (R$ 2.100.818,83), que resgatamos do fundo de reserva, recuperaremos durante o mês de julho em função da crescente conscientização dos filiados para o uso parcimonioso e prudente da Amafresp, de forma a achatar a curva de utilização durante a implantação das medidas que estão em estudo, conforme relatórios anteriores.

Inclusive, iniciaremos uma campanha, com uma série de vídeos, de como fazer o uso consciente da Amafresp. Ou seja, de como cada filiado pode contribuir para diminuir o patamar da cota. É importante frisar que o uso consciente não significa deixar de cuidar da saúde. Os exames preventivos são necessários e importantes e também contribuem para a queda nos custos, uma vez que cuidando da saúde nos protegemos das doenças ou as identificamos no início, evitando assim eventos mais custosos, além de proporcionar uma melhor qualidade de vida.

Por fim, informamos no relatório de abril que intensificaríamos as auditorias médicas e a contestação das autorizações de procedimentos, prazo de internação, medicamentos e materiais utilizados. Pois bem, em julho, expandiremos as auditorias médicas nos hospitais do interior e nos da capital que historicamente não tínhamos controle. Esse tipo de medida de gestão tende a dar bons resultados e mostra o comprometimento da equipe da Amafresp.

Se cada um de nós, filiados e equipe da Amafresp, fizermos a nossa parte o valor do patamar da cota vai ter a redução desejada.