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Inflação médica e aumento de utilização elevam valor da cota

21 set 2022 • Victoria Souza

Não é o que gostaríamos de estar divulgando, mas a cota da Amafresp nos últimos dois meses teve que ser reajustada. Entretanto, com a intenção de manter a transparência na gestão, apresentamos os motivos do aumento.

Antes de mais nada, é importante dizer que, com o aumento de utilização do plano ocorrido a partir do segundo semestre de 2021, principalmente devido à retomada dos procedimentos eletivos represados durante a pandemia, somado à inflação acumulada de materiais e medicamentos, fez com que a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) autorizasse, em maio, o limite de reajuste dos planos de saúde para 2022/2023 em 15,5%.

Porém, o mercado aponta que o reajuste ora autorizado não será suficiente para reverter o prejuízo das operadoras, que segundo dados do mercado, desde o segundo trimestre de 2021, vêm registrando seguidos prejuízos operacionais, que já somam R$ 4,8 bilhões. Para entendermos isso, é necessário compreendermos o conceito de que o valor do dinheiro se altera ao longo do tempo. Da mesma forma que o IPCA busca refletir o aumento generalizado dos preços para a população, a Variação do Custo Médico Hospitalar (VCMH) indica o aumento dos custos assistenciais do setor de saúde. O VCMH cresceu 49,5% nos últimos três anos e o IPCA 23,4%, levando o setor a margens negativas.

Apesar do aumento sistêmico dos gastos assistenciais, a Amafresp tem conseguido manter a cota em torno dos R$ 600,00. Como já dissemos em outros relatórios, inclusive nas Reuniões Regionais ‘Juntos de Novo’, isso foi conseguido devido às intensas negociações com os prestadores nas renegociações contratuais anuais do ano passado, além de intensificação das auditorias nas autorizações de procedimentos, materiais e medicamentos.  O mesmo está ocorrendo este ano, porém, nos últimos dois meses, além do aumento dos custos, observamos um aumento substancial na utilização do plano, o que nos levou a aumentar a conta cobrada para R$ 630,00 em agosto e R$ 660,00 em setembro. Valores estes que explicaremos a seguir.

Primeiramente, ressaltamos que a cota real de agosto fechou em R$ 698,77, ou seja, R$ 68,77 acima dos R$ 630,00 cobrados, sendo que a diferença foi resgatada da reserva financeira. Como também já dissemos, a Amafresp utiliza-se de uma reserva financeira que é constituída em períodos de custos mais baixos, sendo possível amenizar as oscilações e cobrar valores mais previsíveis. Contudo, apesar de a Afresp ter devolvido R$ 4.605.695,05 para a Amafresp, a título de prestação de contas da taxa de administração referente ao exercício de 2021, este foi o único valor creditado na reserva em 2022, pois com os custos mais elevados não tem sido possível novos aportes, o que nos fez, prudencialmente, reajustar a cota cobrada. O mesmo ocorreu com a cota de setembro, cuja previsão é de R$ 723,09 e o valor cobrado será R$ 660,00.

Pois bem, passemos a explicar o aumento do patamar do valor da cota.

As tabelas abaixo mostram a evolução do custo assistencial total e da utilização desde abril, sendo que na primeira consta a quantidade total de guias de atendimento emitidas e na segunda a quantidade de itens por guia, ou seja, a quantidade de procedimentos, medicamentos e materiais por atendimento.

Quando analisamos os custos por tipo de atendimento podemos observar que o maior aumento está nas internações, que, entre abril e junho, tiveram um valor médio de R$ 10.790.039,50 e, em agosto e setembro, a média foi de R$ 13.607.099,12. Ou seja, um aumento de cerca de R$ 2.000.000,0, em decorrência da quantidade de internações, conforme observamos na tabela abaixo:

Outro fator que poderia gerar aumento é o custo médio das internações, ou seja, cada internação ficar mais cara, o que podemos verificar que não foi o corrido, uma vez que o valor médio das internações tem se mantido praticamente constante entre abril e agosto, sendo menor em setembro, corroborando para que a elevação no custo seja decorrente da maior quantidade de internações.

Em relação aos exames, o aumento do custo de agosto em relação a julho não ocorreu em virtude do aumento na utilização, mas devido ao aumento do custo, que ocorreu devido a maior quantidade de exames mais complexos e, por consequência, mais caros, como os exames endoscópicos (aumento de R$ 126.500,00), ressonância magnética (aumento de R$ 52.304,97) e tomografia (aumento de R$ 105.549,85). Já em setembro, o aumento foi em decorrência na maior quantidade de exames realizados, 10.925 a mais do que em agosto, principalmente dos exames laboratoriais que excederam agosto em 9.025.

OBS: 1 – Outros exames são exames oftalmológicos, dermatológicos, teste alergológicos entre outros.
   2- Insumos são matérias, medicamentos e taxas

Quanto as consultas, com exceção de julho, podemos observar que a quantidade vem aumentando desde abril, acarretando o maior custo neste item, sendo que em agosto o custo foi R$ 92.933,20 maior do que julho e em setembro R$ 232.000,30 maior do que agosto.

Da mesma forma que as consultas, temos observado, desde abril, uma maior utilização do Pronto Socorro, sendo que em setembro observamos um aumento de cerca de R$ 230.000,00 no custo.

Nas terapias, a partir de junho, também temos observado um aumento na utilização, que somado ao aumento dos custos, contribuiu para a elevação do custo total.

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Portanto, com o presente relato, esperamos ter demonstrado o comportamento dos custos assistenciais da Amafresp que afetaram o valor da cota fazendo com que ela chegasse ao valor atual. Por oportuno, reforçamos para que os filiados consultem o painel de indicadores, disponível na área restrita dos sites da Afresp e da Amafresp, onde é possível acompanhar mês a mês a evolução dos custos da Amafresp.

Ressaltamos a necessidade do uso parcimonioso e prudente da Amafresp, de forma a achatar a curva de utilização. Queremos que todos se cuidem, mas a utilização responsável foi algo que vimos ser possível durante a pandemia e que podemos repetir. Depende de nós. Para nos auxiliar nisso, em breve iniciaremos a Dra. Ama, um novo conceito em saúde, que se traduz no cuidado integral da saúde, cuidando mais de perto das doenças crônicas e orientando de forma personalizada todos os filiados.

Somados ao cuidado integral de saúde da Dra. Ama, a Diretoria Executiva e o Conselho Deliberativo estão discutindo outras medidas que em conjunto tem o potencial de reduzir o patamar do valor da cota. Essas medidas foram apresentadas pela Diretoria Executiva à classe nas Reuniões Regionais ‘Juntos de Novo’ e são medidas que não alteram as premissas da criação da Amafresp. Mantém o rateio e a liberdade de escolha, porém restringem as possibilidades de uso abusivo. Além de permitir a concentração do controle da Amafresp numa rede credenciada menor de hospitais, aumentando o poder de negociação de contratos com os hospitais e a redução do custo representado por ofensores financeiros, tanto em função do uso abusivo por parte dos filiados quanto de procedimentos e internações desnecessárias indicados por prestadores credenciados.

Por fim, não vamos abandonar a postura de gestão no sentido do rigor do controle da rede credenciada e da conscientização do uso.